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Em Brumado : Aluno da Escola Oscarlina ganha medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa.

Postado por Cleiviane Teste dia em Notícias

Em Brumado : Aluno da Escola  Oscarlina ganha medalha de prata na Olimpíada  Brasileira de Língua Portuguesa.
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O programa A tarde é nossa e a locutora Selma Ribeiro receberam os estúdios da Rádio Nova Vida FM na última quinta-feira do mês de outubro as visitas da mestra em Língua Portuguesa Rosângela dos Santos Marques, e do aluno Luiz Gustavo Carlos Morais da Escola em Tempo Integral Oscarlina Oliveira Silva. Eles são finalistas do concurso de produção textual da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa. A crônica “Tempero da vida”, escrita pelo aluno Luiz Gustavo, sob as orientações da professora Rosângela Marques concorre em dezembro com outros 37 finalistas a medalha de ouro.

A Rádio Nova Vida, 87.9 FM parabeniza os vencedores Rosângela e Gustavo da Escola Oscarlina pelo empenho e dedicação. “Vocês são exemplos para todo o país, da vitória da escola pública brumadense".

Texto : Angela Silva 

                       

 Segue a crônica do aluno:

O tempero da vida

Sexta-feira de manhã, num calor de enfartar, TUMTUMTUM TUM! Meu Whatsapp anuncia:
minha turma já me aguardava na Avenida Centenário, próximo à Cesta do Povo, para um protesto em prol dos nossos direitos.
Lá vou eu, cabeça erguida, peito estufado, um cidadão consciente. No meu trajeto, percebo
que a cidade é um verdadeiro formigueiro. Pessoas chegavam de vários bairros, povoados ou até municípios vizinhos com seus produtos para comercializar. Todo dia de feira é assim! Agora, leitor, avistei um senhor que virou minha cabeça e dilacerou meu coração. Sentado num banquinho, barbas envelhecidas pelo tempo, gritava com voz frágil, chamando seus fregueses:
_ Olha o tem-pe-ro verde! Olha o tem-pe-ro verde!
Os meus olhos pretos encontraram os olhos azuis daquele homem judiado pelo trabalho do
campo e pelas ações dos anos. Talvez tivesse uns 50 anos, mas aparentava mais de 70.
A gritaria dos estudantes me lembrou da passeata, já na avenida, me juntei às várias
escolas públicas, particulares, universidades, empresas e outras instituições. Trajando preto,
cartazes em riste, apitos e buzinas expressando a nossa revolta. A avenida agora era só nossa.
Como o tempo não favorecia, foi necessário milhares de garrafas de água, geladinhos e picolés.
Os vendedores ambulantes enchiam os bolsos. Os carros e as motos buzinando, não sei se era para ajudar ou pedir licença?! Eu, motivado pelos gritos dos meus companheiros, também gritava:
“Invistam na educação!”, “Melhorias para a saúde!”, “Empregos, já!”, “Cuidem dos idosos!”. Nesse momento, me deu um calafrio, lembrei daquele senhor que ficou lá atrás, esquecido por nós.
Da avenida Centenário fomos para a praça Capitão Francisco de Souza Meira, mais
conhecida como Praça da Matriz. O cartão postal da cidade. Imponente, viva há mais de 150
anos, a igreja Matriz reina. Neste lugar, a emoção aumenta, os discursos dos protestantes
ganham força, nos enchem de esperança. É a fé do povo do sertão que resiste.
As horas passam, já é quase meio-dia. As pessoas voltam para suas casas, não tão
satisfeitas, mas com a sensação de dever cumprido. Minha barriga ronca, é momento de ir
embora. Passo pelas mesmas ruas, meu coração quer rever aquele senhor. Meus pés se
apressam, mas meus olhos não alcançam mais a sua barraca. Ele já se foi! Provavelmente,
vendeu tudo. Uma mistura de sentimentos invadiu meu ser. Torci para que os temperos que são o seu sustento, dessem muitos sabores a sua vida.

Luiz Gustavo Carlos Morais

 

                                                                        

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